NUM SALTINHO ATE OEIRAS

Ser Poeta

 

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior

Do que os homens! Morder como quem beija!

É ser mendigo e dar como quem seja

Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

 

É ter de mil desejos o esplendor

E não saber sequer que se deseja!

É ter cá dentro um astro que flameja,

É ter garras e asas de condor!

 

É ter fome, é ter sede de Infinito!

Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…

É condensar o mundo num só grito!

 

E é amar-te, assim, perdidamente…

É seres alma e sangue e vida em mim

E dizê-lo cantando a toda a gente!

 

(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)

 

LAND ART na Quinta do Pisao - CASCAIS/SINTRA Portugal

It's hard to say something... impossible to resume in images or words, the peace, the joy, the sense of magic one could experiment when respectfully approaches nature... it has to be experienced and all we could try to translate it seems never enough... But it's something that always happened with me when I visit and walk around this Sacred Mountain in Sintra ... and this time I've had some extra ART attractions organised by www.cascaisnatura.org

BRICK POETRY

All equal ; all different ...

All equal ; all different ... and getting green

All equal ; all different ... and multiplying 
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MORTE EM VIDA

Um dia mais passou e ao passar
Que pensei ou li, que foi criado?
Nada! Outro dia passou desperdiçado!
Cada hora já morta ao despontar!

Nada fiz. O tempo me fugiu
E à beleza nem uma estátua ergui!
Na mente firme nem credo ou sonho vi
E a alma inútil em vão se consumiu.

Então me caberá sempre ficar
Qual grão de areia na praia pousado,
Coisa sujeita ao vento, entregue ao mar?

Ah, esse algo a sofrer e a desejar,
Inda menos que um ser inanimado
Sempre aquém do que podia alcançar!

Alexander Search-(Fernando Pessoa) 
1906
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http://www.artkitektur.com

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